“Começou a chover aqui no bairro. Todas as pessoas fechando as janelas e eu abrindo a minha. Acho que é porque eu acho impossivel ignorar o cheiro da terra molhada, o barulho da chuva batendo no chão, as rajadas de vendo arrancando algumas folhas da árvores, as animais caçando abrigo. É legal ver a chuva caindo, lavando a poeira, mostrando cores aonde você achava que era tudo preto e branco. Juro que não entendo porque as pessoas preferem ficar no escuro do que abrir a janela. ”Mas vai molhar a casa toda menina.” Disse a senhora da casa ao lado. Quase que eu gritei: ”Que molhe, que alague toda a casa e me molhe por inteiro, que lave essa sujeira que o chuveiro insiste em não limpar.” Mas fiquei calada, porque não sabia se estava falando da chuva ainda. É que muita gente tem medo de amar sabe? E quando o amor aparece fecha a janela. Juro que não entendo. Já me molhei muitas vezes, e cansa secar a casa depois, mas depois de seca a casa ganha um brilho novo. Não seria esse o sinal de que as coisas estão começando a melhorar. Na verdade, acho que a vida se resume em gente com medo de abrir a janela e arriscar se molhar, e gente que não se permite ficar seco - os melhores. É bem assim, a gente abre a janela e se molha, passa o pano e seca tudo. Se molha de novo. Uma cansa. Mas uma hora, anotaí, tu não passará pano sozinha mais… e tudo, até ver a chuva molhando tua casa, valerá a pena. E no fundo, você sabe, eu não estou falando da chuva caindo aqui fora…
“Dias tristes, vontade de fazer nada, só dormir. Dormir porque o mundo dos sonhos é melhor, porque meus desejos valem de algo, dormir porque não há tormentos enquanto sonho, e eu posso tornar tudo realidade.
“Porque o coração nem sempre é mocinho. Foi por isso que corri, tentei fugir, mas quando tem que ser, não adianta, será.
“Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada ‘impulso vital’. Pois esse impulso ás vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como ‘estou contente outra vez
“Nada esfriou. Você apenas mudou e deixou de sentir tanto por tantas pessoas. Foi só isso.
~ (Denis)